Arquivos Diários: Novembro 2nd, 2008

MICHELINY VERUNSCHK

 

HISTÓRIA
 
 
Desenterrar os mortos 
e chupar seus ossos, 
sugar seu mosto 
de terra e sangue seco, 
seu gosto secreto 
de anos infindáveis, 
seus arcos, 
costelas, 
arquitetura.  
 
(…)
 
Se infeccionar com os mortos. 
Triturar seus artelhos 
De esponja ressequida, 
Pintar de negro e noite 
Os dentes e a saliva 
E abandonar o sonho
Viva. 
Muito viva.
 
 
 
O MURO
 
 
 
No muro de pedra 
A pedra 
O lodo 
A hera. 
O muro, 
Um ovo que se quebra 
Um touro na arena 
Um livro contra [...]

RODRIGO GARCIA LOPES

 

RIZOMA
 
 
Você deixou os instrumentos sob o sol rachando o som que penetrava rochas de cores escritas com o tato, você delirava considerando asteriscos num céu de areia hostil.
 
Os halos seguiram com os corpos, quebras de esquinas com o vazio do tempo nas narinas mornas do nômade, rimas taliban se dublam e enroscam como ramos, e [...]

CLAUDIA ROQUETTE-PINTO

 
 
Colina acima
 
os pinheiros puseram em sentinela
seu exército de boddhisattvas.
A neblina caindo,
primeiro apaga a floresta,
depois a imagem no lago.
Um pássaro persistente
fez seu ninho no meio
da urze, e canta.
- nada vai tirar você de dentro de mim.
 
 
* * *
 
Um par de sobrancelhas
voa sobre o assalto aos sentidos
vindo da sua voz. Nua,
pelos quatro continentes da sala
desinvestindo a fala [...]

A LINGUAGEM CRIATIVA DE GUIMARÃES ROSA [de Ricardo Soares]

 
A linguagem criativa de Guimarães Rosa
 
por Ricardo Soares
 
 
O centenário do nascimento (27 de junho de 1908) de João Guimarães Rosa, que neste 2008 transcorre, enseja refletir: se a morte, há quarenta anos, não distanciara os interesses em volta de sua obra, a centúria ora celebrada vem a confirmá-lo na galeria dos maiores escritores brasileiros. É [...]

JAIRO PEREIRA

Jairo Pereira nasceu em Passo Fundo (RS) em 1956, mas reside hoje em Quedas do Iguaçu. Publicou vários livros de prosa e poesia, entre eles O Artista de Quatro Mãos (1992), O Antilugar da Poesia (1995), O Abduzido (1999) e Capimiã (2002).
 
POEMA ABSTRATO 
Fiz um poema abstrato 
de não se ver não pegar com 
as mãos poema tipo [...]

LAU SIQUEIRA

 

circunstância
 
 
o poema 
é sempre um espetáculo 
um pouco mais denso
 
vem de um tempo 
longino 
onde a memória perdia 
o nome das coisas
 
e as pessoas eram 
montarias do futuro
 
 
poeta interino
 
 
todo dia substituo um 
cidadão de jeans san 
dálias e cabelos gris 
por um martelo e prego 
sílabas no 
branco da folha branca
 
cada pan cada 
uma plêiade de me 
mória e lixo
 
todo dia 
revelo o bêbado ocioso 
que nada 
nada 
nada 
e sempre é um [...]

ANTONIN ARTAUD E O SURREALISMO DISTÂNCIAS E APROXIMAÇÕES [de Francine Jallageas]

 
Antonin Artaud. Um vagabundo do absoluto. Um homem cujo pensamento adere ao corpo como uma colante malha de dança. Profeta que passa suas palavras pelo crivo dos nervos. Um poeta cuja carne  se faz poesia. Mago de uma magia da qual ele é, ao mesmo tempo, sujeito e objeto.
 
— Roger Vitrac
 
 
O ato dialogado O jato de [...]

GRANDES CENTROS URBANOS: Espaço De Choque Entre Exílio E Diáspora [de Maria Angélica Amâncio]

Grandes centros urbanos: espaço de choque entre exílio e diáspora
Maria Angélica Amâncio

 
.
 

1. Walter Benjamin e a capital do século XIX
Metal e vidro. Esses são os materiais que revestiram, construíram e enfeitaram Paris, a capital do século XIX, durante o Segundo Império. Com eles, renovam-se a arquitetura e a arte no antigo sentido grego. Coloca-se para [...]