Arquivos Mensais: Dezembro 2008

CRÔNICAS – Nosso Cotidiano Urbano – João Saldanha

Trazemos hoje para o “blog” três crônicas de João Saldanha, extraídas do livro “MEUS AMIGOS”, da Nova Mitavaí Editora e Livraria Ltda., Rio de Janeiro, 1987.

CRÔNICAS – Nosso Cotidiano Urbano

Manhã de um Domingo Dezembrino
por Tonicato Miranda
Curitiba, 7/12/2008.
 
Um sol radiante se faz presente nesta manhã de domingo de um dezembro que se inicia promissor. Pelo menos no clima. Veja que falo de sol radiante e não sol causticante. Daqueles bons para bebês, velhos e doentes que carregam doenças menos aparentes. Pois é deste eco de [...]

MALLARMÉ – BRINDE

Prólogo por Tonicato Miranda

Trazemos hoje para o “blog” um poema de Mallarmé, em francês, com ensaios da tradução em inglês e português. A primeira tradução em inglês foi realizada por C. F. MacIntyre; Bekerley e Los Angeles – University of California Press, 1957. A segunda, ainda para o inglês, foi realizada por Keith Bosley, 1979. E a tradução para nossa língua foi realizada por Augusto de Campos. O poema e as três versões foram extraídos do livro de Ana Cristina Cesar – Escritos da Inglaterra, da Editora Brasiliense, 1983.

POETAS DO ARAGUAIA

Hoje, trazemos do livro POETAS DO ARAGUAIA, com Prefácio de Carlos Rodrigues Bandão, publicado pelo CEDI – Centro Ecumênico de Documentação e Informação, Rio de Janeiro, 1983, quatro belíssimos poemas de Paulo Gabriel, morador de São Félix do Araguaia – MT, que entre outras auto-definições, nos diz “…Já andei nesta terra por uma porção de lugares // Do Rio de Janeiro eu guardo a alegria de viver // exposta na luz, na pele, na água // Foi em Minas, porém, que aprendi a interpretar o silêncio das coisas, o olhar emocionado // e o coração dos homens. // Ainda tenho saudade do eterno que em Minas se escondeu”.

POETAS DO MARANHÃO – João Batista do Lago

 
CONCERTO PARA SAUDADES
 
© DE João Batista do Lago

Que harmonia de sons é esta
Que ressoa da minha carne
Se da carne minha
Foram tirados
Pedaços da alma?
A fúnebre alegria de mim
Ser-me da eterna possibilidade
Um movimento do real
Na irrealidade da presença
Onde não-ser é todo o Ser…
Na inércia do vazio profano
Os acordes duma sinfonia assíntota
Não encontram a esfera do meu corpo
Que [...]

POETAS DO PARANÁ – Manoel de Andrade

Um homem no cais
Manoel de Andrade
 
Que saldo trago da vida?!
da existência escassa e vadia que vivi?!
que emoções puderam transfigurar meu coração de marinheiro
e desviar meus passos do caminho do cais?!
eu, que tornei meu corpo ambulante
a vagar de porto em porto em busca de um navio!
em busca de um destino qualquer que flutuasse
e me levasse pra [...]

POETAS DAS ALAGOAS – José Alberto Costa

Silêncio
José Alberto Costa
 
 
Na quietude outonal
do meu claustro interior
o silêncio ecoa
no mármore secular
de colunas imaginárias,
enchendo minh’alma
de doçura infinita,
trazendo a paz
sempre aguardada
.
Ando sob a luz do sol,
sem perturbar
o sublime momento
reflexão/ternura.
Palavras ditas
com o coração
também ecoam
no meu silêncio interior
revelando verdades
desconhecidas.

CRÔNICAS: Comunicação e Neurociência

Comunicação e neurociência
Jamil Salloum Jr.
 
A Neurociência moderna já avançou muito no entendimento dessa espantosa máquina que é o cérebro. O que foi até o momento comprovado é a ação eletroquímica através de circuitarias cerebrais, responsáveis pelas mais diversas funções, como a fala, os sentimentos, as necessidades etc. O cérebro humano opera de forma algorítmica, processando [...]

ARTIGO: A Melhor Retrospectiva

A melhor retrospectiva
                                                                  Jamil Salloum Jr.
 
Nessa época as televisões iniciam a transmissão de várias retrospectivas dos acontecimentos “mais importantes” do ano: em geral tragédias [...]

CRÔNICAS DO COTIDIANO URBANO

Linguagem
por Rubem Braga
extraída do livro
“Crônicas da Guerra na Itália”
– Record, 2ª Edição, 1986.
15 de fevereiro, 1945.
Quando os nossos soldados voltaram ao Brasil, as famílias vão estranhar muito a linguagem deles. Já nos quartéis do Brasil, eles incorporaram à linguagem diária uma porção de gíria militar.
__ Esse capitão gosta de traquejar! O sujeito bobeou [...]

ANA CRISTINA CESAR A Poeta Intimista

Poeta e ensaísta Ana Cristina César

CRONOLOGIA

1952 – Ana Cristina Cruz Cesar nasce em 2 de Junho, filha de Waldo Aranha Lenz Cesar e Maria Luiza Cesar.
1958-1959 – Primeiras poesias publicadas. No Suplemento Literário da Tribuna da Imprensa (Rio, 14-15 de Novembro de 1959) é apresentada ao mundo literário por Lúcia Benedetti.
1971 – Ingressa no [...]

Artilheiros da Infantaria – por Rubem Braga

“(…)
Por acaso, chego para visitar os homens no dia em que registram (eu ia escrever “comemoram”, mas na verdade não houve comemoração de espécie alguma) o milésimo tiro disparado por aquela peça contra os nazistas. Isso aconteceu pela manhã; no momento de minha visita, à tardinha, a conta já estava em 1.066.
O chefe da peça [...]

CRÔNICAS – Nosso cotidiano urbano

Cabeçalho de uma coluna
por Tonicato Miranda
* * *

“Cabeçalho de uma Coluna” poderia ser este o título da coluna para a qual fui convidado a escrever diariamente para este sensacional “blog” que vai ficando conhecido em todo o mundo como “BICHOS DO BRASIL”. Uma coluna de Crônicas, este gênero literário tão desvalorizado em nossa literatura, mas [...]

POETAS DO PARANÁ – Aninha Caligiuri

Partículas de Sonhos
Aninha Caligiuri
 

Houve um tempo em que tudo era inconsciência.
Depois transformadas foram as partículas de sonhos.
E encontrei-me junto a fabuloso vendaval que viajava para as Imensidades.
Deparei com mundos novíssimos lá, na Claridade das Estrelas.
Senti as transformações que operaram-se no meu ser.
Vida?!… Ó Vida, como a amo!…
Seres?!… Ó Seres, como os adoro!…
Ó Seres, como são belos os [...]

MANOEL DE BARROS

O urubuzeiro
Manoel de Barros
 

Meu amigo Sebastião estourou a infância dele e mais 
duas pernas 
No mergulho contra uma pedra na Cacimba da Saúde. 
Quarenta anos mais tarde Sebastião remava uma canoa 
no rio Paraguaio 
E deu o barranco de uma charqueada. 
Sebastião subiu o barranco se arrastando como um 
caranguejo trôpego 
Até a casa do patrão e pediu um trabalho. 
O patrão olhou para [...]