As nossas madrugadas [de Maria Teresa Horta]

As nossas madrugadas 

Desperta-me de noite 
o teu desejo 
na vaga dos teus dedos 
com que vergas 
o sono em que me deito 
pois suspeitas 
que com ele me visto e me 
defendo 
É raiva 
então ciúme 
a tua boca 
é dor e não 
queixume 
a tua espada 
é rede a tua língua 
em sua teia 
é vício as palavras 
com que falas 
E tomas-me de força 
não o sendo 
e deixo que o meu ventre 
se trespasse 
E queres-me de amor 
e dás-me o tempo 
a trégua 
a entrega 
e o disfarce 
E lembras os meus ombros 
docemente 
na dobra do lenços que desfazes 
na pressa de teres o que só sentes 
e possuires de mim o que não sabes 
Despertas-me de noite 
com o teu corpo 
tiras-me do sono 
onde resvalo 
e eu pouco a pouco 
vou repelindo a noite 
e tu dentro de mim 
vais descobrindo vales. 

Maria Teresa Horta 

Mais sobre Maria Teresa Horta em 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta

Comente

Required fields are marked *
*
*

%d blogueiros gostam disto: