ALGUNS GUITARRISTAS [de Claudio Nunes de Morais]

 

ALGUNS GUITARRISTAS

 

 

Ouvi Manolo Sanlúcar 

e Isidro, o mano fiel: 

de suas cañas, o açúcar

 

por entre os caules de fel. 

Ouvi também, no Brasil, 

Cañizares (Juan Manuel):

 

ciência, vasta e não fácil, 

mas espontânea, apresenta. 

Ouvi depois esse anil

 

das mãos de Amigo (Vicente), 

que apresenta em outro tom 

Córdoba: explosivamente.

 

E antes Solera (Antonio) 

– ouvi (ou vi) bem de perto 

(e revi)–, em Carmen: dom,

 

Bodas de Sangre em concerto. 

Mas ouvi Francisco Sánchez 

Gómez, Paco (o mais deserto

 

da história: numa avalanche 

de toques que invade e muda 

o toque, como revanche:

 

a guitarra mais aguda, 

mais musical, a fronteira 

também do grave, sisudo):

 

“o de nervos de madeira, 

de punhos secos de fibra”, 

o que calcula as maneiras

 

de cada corda que vibra 

e acorda em toda a magia 

do “fluido aceiro da vida”

 

a frágua, a gitanería, 

sim, ouvi Francisco Sánchez 

Gómez, Paco de Lucía:

 

cultivando uma avalanche 

de toques, mas com mão certa, 

não deixa que se desmanche

 

o toque que se completa 

com o elenco dos tablaos 

e das peñas mais secretas,

 

pois tal guitarra, ou granada 

que explode à frente do elenco, 

sempre renasce – extremada –

 

dos pés, da voz do flamenco.

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ZUNÁI – Revista de poesia & debates

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