CANÇÃO [de Joaquim Cardoso]

Canção

 

 

O Coronel Macambeira e De uma Noite de Festa, e suas Poesias Completas. Um livro Aceso e Nove Canções Sombrias, foi seu último livro, publicado postumamente. Sua atuação na imprensa inclue passagem pelo Diário de Pernambuco, como chargista, e como colaborador e diretor da Revista do Norte, da Revista do Património Histórico, das revistas Para Todos e Módulo.

Joaquim Maria Moreira Cardoso (Recife, 26 de agosto de 1897 — Olinda, 4 de novembro de 1978) foi um poeta, contista, desenhista, engenheiro civil, professor universitário e editor de revistas especializadas em arte e arquitetura. "Eu não sou bem um poeta. Minha vida é que é cheia de hiatos de poesia". Suas primeiras poesias datam de 1924, entretanto o primeiro livro Poemas, surgiu apenas em 1947 e por pura insistência dos amigos. Joaquim Cardoso, que tinha uma memória prodigiosa, sabia de todos os seus poemas decorados e não os modificava, em nenhuma vírgula, quando os recitava publicamente em períodos distintos. Conviveu com poetas modernistas, como Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto, tendo publicado vários livros entre 1946 e 1975, usando como tema principalmente seu Recife natal e o Nordeste brasileiro. Foi também tradutor e crítico de arte. Ocupou a Cadeira 39 da Academia Pernambucana de Letras. Eleito em 18 de fevereiro de 1975, tomou posse em 6 de setembro de 1977. Ao todo, foram publicados onze livros de sua autoria, dos quais destaca-se o inaugural Poemas, que teve prefácio do poeta Carlos Drummond de Andrade um dos seus maiores admiradores, duas de suas obras teatrais: O Coronel Macambeira e De uma Noite de Festa, e suas Poesias Completas. Um livro Aceso e Nove Canções Sombrias, foi seu último livro, publicado postumamente. Sua atuação na imprensa inclue passagem pelo Diário de Pernambuco, como chargista, e como colaborador e diretor da Revista do Norte, da Revista do Património Histórico, das revistas Para Todos e Módulo.

Venho para uma estação de águas nos teus olhos; 

 

Ouves? É o rumor da noite que vem do mar. 

Meu amor. 

Perto de mim o teu corpo cheirando a flor de cajueiro. 

Que saudades do sol. Do mar de sol. 

Do nosso mar de jangadas. 

Escuta: 

A noite que vem cantando 

Vem do mar. 

Para que eu voltasse tu me prometeste novas carícias 

No entanto o que me dás agora é ainda o mesmo amor 

De antigamente. 

E depois estás mais velha. 

Os teus olhos bruxuleiam. 

Os teus lábios se apagaram. 

Eu vou partir. 

As barcaças vão passando junto ao cais. 

Eu vou partir, viajar. 

Itapissuma. Goiana. Itamaracá. 

Olha o verão que vem! 

Viva o verão que vai chegar. 

Viva a paisagem roxa dos cajueiros que vão florir! 

Eu vou partir, viajar. 

 

 

Joaquim Cardoso 

(1897-1978)

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