J. A. MEDEIROS DA LUZ

O jogo da vida e o jogo de palavras


J. A. Medeiros da Luz

Aconselham-me que entregue já os dedos, 
Vez que anéis, nem de cobre os tenho. 
Dizem-no com modo zombeteiro 
De quem tem por certo 
Que aquilo que prezo já não vale 
O que presumíamos valesse ontem. 
Eis que tarde lá se vão aqueles devaneios 
De ideário juvenil. 
Esfumam-se no ar, etereamente, 
De modo similar àqueles vagarosos 
Espectros errantes, miasmas de lagoa, 
A marchar lento em fila indiana, 
Ao tanger gelado das brisas da noite, 
Flechados pela luz da lua em quarto-minguante; 
Procissão fantasmagórica, com litanias 
De silêncio (pois que o silêncio é, por vezes, 
Mais eloqüente que o maior dos vendavais…). 
Tardos vultos de vaporosos sonhos 
Migrando para oeste do Éden, 
Pervagando sobre as águas do rio do Limbo. 
Adeus, velhos companheiros buliçosos de jornada; 
Vocês que, assim tão outros agora, se evadem, 
Solenes e cabisbaixos e sisudos, 
Quais diáconos de igreja a guardar relíquias 
(sabe-se lá que lasca de fêmur e de que santo!), 
Partem sem aquela aura radiante dos anelos! 
Droga! Vão-se lá os íntimos anelos de outrora, 
Mas onde, mesmo, se encontram os tais anéis de agora?!

 

(Ouro Preto, 11 de setembro de 2008.)

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