MARANHÃO SOBRINHO

 

Sóror Teresa

Maranhão Sobrinho

 

 

Poeta, jornalista, funcionário público e boêmio. Viveu 36 anos. Nasceu em Barra do Corda em 30 de dezembro de 1879 com o nome de José Américo Augusto Olímpio Cavalcanti dos Albuquerques Maranhão Sobrinho. Morreu em Manaus em 1916, no dia 25 de dezembro. Publicou "Papéis Velhos", em 1908, "Estatuetas" em 1909 e "Vitórias Régias", em 1911. A Academia Barra-Cordense de Letras toma emprestado o nome Maranhão Sobrinho e faz uma reverência especial ao maior poeta nascido em Barra do Corda. Literariamente batizado na escola simbolista, Maranhão Sobrinho é conhecido pelos críticos e estudiosos de literatura como um dos três melhores poetas simbolistas brasileiros, ao lado de Cruz e Souza e Alphonsus de Guimarães. Ainda, segundo os críticos literários, é notória a influência dos poetas franceses Mallarmé, Verlaine e Baudelaire. Na poesia de Maranhão Sobrinho a idéia é simbólica, o sentimento é romântico e a forma é parnasiana, afirma o literato Reis Carvalho. Maranhão Sobrinho morou em São Luís, Belém e Manaus. Nessas cidades seus sonetos tiveram grande popularidade. O poeta também é membro fundador da Academia Maranhense de Letras e da Academia Amazonense de Letras. Em Barra do Corda, o seu nome é lembrado oficialmente em uma única praça e pela Academia Barra-Cordense de Letras. O TB cultura publica dois poemas do Maranhão Sobrinho. "O Mar" e "Sóror Teresa", o mais popular:

…E um dia as monjas foram dar com ela

 

morta, da cor de um sonho de noivado,

no silêncio cristão da estreita cela,

lábios nos lábios de um Crucificado

 

Somente a luz de uma piedosa vela

ungia, como um óleo derramado,

o aposento tristíssimo de aquela

que morrera num sonho, sem pecado…

 

Todo o mosteiro encheu-se de tristeza,

e ninguém soube de que dor escrava

morrera a divinal sóror Teresa…

 

Não creio que, de amor, a morte venha,

mas, sei que a vida da sóror boiava

dentro dos olhos do Senhor da Penha…

(do livro Papéis Velhos…Roídos pela Traça do Símbolo/1908)

 

O Mar

Maranhão Sobrinho

 

Ouve! O mar, escarpando as rochas, na agonia

Do sol, parece ter na voz humana acento

De dor! Reza, talvez. Vai recolher-se. O dia

Se ajoelha e a tarde, em sonho, abraça o firmamento

 

Como nós, pode ser que a tristeza e a alegria

O mar sinta também: precisa, em movimento,

Trazer um coração… Quem sabe o que irradia,

No íntimo, em doce e azul recolhimento.

 

Escuta! Uma onda vem beijar-te os pés. Não a de

Calma os seios rasgar sobre os basaltos. Quero-las

As ondas todas são. Ouve-lhe a voz. Piedade!

 

O mar leva-me a crer que tem paixões mortais

Em que rolam, brilhando, as lágrimas das pérolas

E palpita, fervendo, o sangue dos corais…

(Do livro Vitórias Régias)

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