OTACÍLIO BATISTA

 

Otacílio Batista – (São José do Egito, PE, 1923) – No poema “Cantadores do Nordeste”, em que Manuel Bandeira diz ter sido “juiz numa função/ De violeiros do Nordeste/ Cantando em competição”, há, nos versos finais, a seguinte alusão a Otacílio Batista: “Saí dali convencido/ Que não sou poeta não,/ Que poeta é quem inventa/ Em boa improvisação,/ Como faz Dimas Batista/ E Otacílio, seu irmão”. Otacílio publicou, entre outros, Poemas que o povo pede, Poemas e canções e Os três irmãos cantadores. “Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor” ficou conhecido por ter virado letra de música de Zé Ramalho (cantada por Amelinha).

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Mulher nova bonita e carinhosa

faz o homem gemer sem sentir dor

Numa luta de gregos e troianos

Por Helena a mulher de Menelau

Conta a história que um cavalo de pau

Terminava uma guerra de dez anos

Menelau o maior dos espartanos

Venceu Páris o grande sedutor

Humilhando a família de Heitor

Em defesa da honra caprichosa

Mulher nova, bonita e carinhosa

Faz o homem gemer sem sentir dor

Alexandre figura desumana

Fundador da famosa Alexandria

Conquistava na Grécia e destruía

Quase toda a população tebana

A beleza atrativa de Roxana

Dominava o maior conquistador

E depois de vencê-la, o vencedor

Entregou-se à pagã mais que formosa

Mulher nova, bonita e carinhosa

Faz o homem gemer sem sentir dor

A mulher tem na face dois brilhantes

Condutores fiéis do seu destino

Quem não ama o sorriso feminino

Desconhece a poesia de Cervantes

A bravura dos grandes navegantes

Enfrentando a procela em seu furor

Se não fosse a mulher mimosa flor

A história seria mentirosa

Mulher nova, bonita e carinhosa

Faz o homem gemer sem sentir dor

Virgulino Ferreira, o Lampião

Bandoleiro das selvas nordestinas

Sem temer a perigo nem ruínas

Foi o rei do cangaço no sertão

Mas um dia sentiu no coração

O feitiço atrativo do amor

A mulata da terra do Condor

Dominava uma fera perigosa

Mulher nova, bonita e carinhosa

Faz o homem gemer sem sentir dor

 

(Transcrito de Poemas escolhidos, pp. 1 15 – 116)

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