JOÃO BATISTA DO LAGO

Libertação

João Batista do Lago

 

só escreve tais versos quem tem asas de homem–pássaro - Mhário Lincoln é jornalista e advogado. Esta obra é fruto de uma mente genial e brilhante e que demonstra ser amante do saber. É uma obra plena de ideais nobres e humanitários, que fecundam não na mente de um jovem inexperiente e ingênuo, mas ao contrário, na mente de um “ancião”, que fluiu existencialmente na história por vários momentos antagônicos. - Johannes de Silentio é Téólogo. Sua sensibilidade reconhece ambigüidades e inseguranças da nossa atual temporalidade, batizada de pós-modernidade, como a causa da desistência do homem em buscar o “ser imanente” existente em si próprio, e que prefere se acomodar numa visão “religiosa” de vida e que os transformam em “pobres humanos inconscientes”. - Margarita de Cássia Viana Rodriguesé Doutora em Ciências Sociais.

"(...) ao arregaçar as últimas páginas do livro – EU, PESCADOR DE ILUSÕES - chego à conclusão incomum: só escreve tais versos quem tem asas de homem–pássaro" - Mhário Lincoln é jornalista e advogado. "Esta obra é fruto de uma mente genial e brilhante e que demonstra ser amante do saber. É uma obra plena de ideais nobres e humanitários, que fecundam não na mente de um jovem inexperiente e ingênuo, mas ao contrário, na mente de um “ancião”, que fluiu existencialmente na história por vários momentos antagônicos." - Johannes de Silentio é Téólogo. "Sua sensibilidade reconhece ambigüidades e inseguranças da nossa atual temporalidade, batizada de pós-modernidade, como a causa da desistência do homem em buscar o “ser imanente” existente em si próprio, e que prefere se acomodar numa visão “religiosa” de vida e que os transformam em “pobres humanos inconscientes”." - Margarita de Cássia Viana Rodriguesé Doutora em Ciências Sociais.

Essa ambígua ordeiricidade brasileira, e

conseqüentemente, do seu povo:

país do carnaval! da mulata brasileira!

país do futebol! da malandragem fagueira!

é ufanismo trigueiro da burguesa “Luzes”

subjetivismo do discurso da dominação.


Sob este manto praticam-se o

terrorismo social e o econômico, o

político e o cultural, abstrusos, mas

coesos no seu conjunto ideológico

incrustado no terrorismo de Estado, que não

permite aos comuns cidadãos

perceberem, desde sempre, a condenação de

suas almas numa constante subjugação.


A tudo isso se junte, ainda, a

medíocre “democracia racial”:

falsa consciência da inclusão

sob o beneplácito das elites, da

classe média e da burguesia.


E os ladrões de sempre,

que roubaram, que roubam e, por certo,

roubarão este povo que teima em não acordar, que

continua “dormindo em berço esplêndido”,

continuam nos palácios a nos encantar

com a máxima da escravidão:

O Brasil é uma nação ordeira” – dizem.


E assim continuamos nossa sina

– com o apoio do burguês trabalhador que

vendeu sua dignidade, que

teve seu espírito comprado, que se

esconde sob a proteção de sindicatos

fascistas e sustentados pelo Estado terrorista, que

assalta, que furta o trabalhador comum,

compulsoriamente dilapidando o miserável salário,

que se lhe arranca da boca a comida, do

intelecto a educação, do

corpo a moradia.


Não menos indulgente é a

burguesia intelectual

que, num eterno louva-deus,

locupleta-se com migalhas furtadas

comprantes das ideologias de

plantão, que permite assegurar o

quinhão da dominação.


Da mesma maneira, o ramo

podre da religião assim também age

utilizando o campo do sagrado

como fonte inexorável de opressão,

fazendo cair sobre os desgraçados da sorte o

fogo do inferno se, porventura, desejarem libertação.


No mesmo ritual teleológico

seguem o burocrata, o empresário e o político,

os três Poderes: o Judiciário, o Executivo, o Legislativo

a “representação do povo”!


Não é, pois, o momento da indignação?

Porventura não é chegada a hora da libertação?


A nação não pode condescender com seus

detratores, com seus ladrões, com seus

usurpadores, com seus facínoras, com seus

ditadores – falsos democratas, antiprofetas da salvação.


Prestai atenção, ó brasileiros!

Ó povo dos trabalhadores,

povo deserdado, vexado e proscrito!

Povo (que é) aprisionado, (que é) julgado e (que é) morto!

Povo ultrajado, povo marcado!


Não sabeis que mesmo para a paciência,

mesmo para a dedicação, há um limite?

Não deixarás de dar ouvidos a estes

oradores do misticismo que te dizem

para rezar e esperar,

pregando a salvação pela religião ou pelo poder e cuja

palavra veemente e sonora te cativa?


Teu destino é um enigma que nem a força física,

nem a coragem da alma, nem as iluminações e o entusiasmo,

nem a exaltação de nenhum sentimento pode resolver.

Aqueles que te dizem o contrário enganam-te e seus

discursos servem apenas para retardar a hora de tua libertação, que

está preste a soar.


O que são o entusiasmo e o sentimento?

O que é uma poesia vã diante da necessidade?


Para vencer a necessidade há apenas a Necessidade,

razão última da natureza, pura essência da matéria e do espírito.


Dá-me, agora, ó brasileiros, um pouco da vossa atenção!

Tomai como vosso este poema e cantai em toda praça a todo cidadão.

Sustentai este grito de alerta, de levante, de atitude revolucionária

contra os vituperadores que tomaram esta nação:

(é) uma convocação para a revolta,

(é) uma ode à desobediência civil,

(é) um convite à marcha contra os canalhas,

(é) uma incitação à derrubada do Estado terrorista.


Mas também quero vos alertar:

os ladrões do Brasil e de seu povo, a

camarilha instalada nos três poderes, a

elite, a classe média e os burgueses,

jamais concordarão com este deblaterar.

E dirão com certeza:

– Não passa de um ‘esquerdista radical’,

um ‘maoísta’, um ‘leninista’, um ‘marxista’,

enfim…

um comunista’.

Ou, no mínimo, dirão:

um “revoltado”,

um “louco”…


Aí então devereis, desde sempre,

rechaçar e repelir veementemente a

prosa ditirâmbica dessa camarilha de ladrões.

Não dareis, jamais, o direito de te definirem,

de te identificarem, de te marcarem (feito gado encurralado)

segundo seus conceitos, seus preceitos, seus preconceitos.


E direis:

– Tens agora, ó indignos bufões, o

vicejar de um novo Sujeito,

tens, aqui, por certo, o

discurso da indignada nação, que

não quer ver o seu povo,

por toda eternidade,

dirigido pela corrupção, que

não deseja ser representado

por congressos de ladrões,

governado por rufiões do poder, que se

escondem sob a toga da inquisição.


E afirmareis a sentença da libertação:

Se os apelos dos movimentos urbanos não são atendidos,

se os novos caminhos políticos permanecem fechados,

se os novos movimentos sociais não se desenvolvem totalmente,

então, tais movimentos

– utopias reativas que tentarão iluminar o caminho a que não tinham acesso –

retornarão, mas dessa vez, como sombras urbanas,

ávidas por destruir as muralhas cerradas de sua nação cativa”.

* * * * *

in EU, PESCADOR DE ILUSÕES, 2006, Ed. LuluPress

 

Leia mais sobre o autor: http://joaopoetadobrasil.wordpress.com

One Comment

  1. Posted 18 novembro, 2008 at 4:25 pm | Permalink

    >Merecidíssima a presença desse “bicho poético” aqui neste espaço.

    Saudações,


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