MÁRIO DE ANDRADE

Poemas da Amiga

Mário de Andrade

 

o meticuloso trabalho de documentação sobre a história e a cultura (especialmente música) no interior do Brasil, tanto em São Paulo quanto Minas Gerais, que deixou-se profundamente interessado pela arte barroca do periodo colonial, como nas áreas agrestes no nordeste do pais. Publicou ensaios em jornais de São Paulo, algumas vezes ilustrados por suas próprias fotografias, e foi, acima de tudo, acumulando informações sobre a vida e folclore brasileiro. Apesar dessas viagens, Andrade ainda lecionava piano no Conservatório, e, em 1921, se tornou professor de História da Arte desta instituição.

Mário Raul de Morais Andrade (São Paulo, 9 de outubro de 1893 — São Paulo, 25 de fevereiro de 1945) foi um poeta, romancista, crítico de arte, folclorista, musicólogo, professor universitário e ensaísta brasileiro. Em 1922 participou ativamente da Semana de Arte Moderna, que teve grande influência na renovação da literatura e das artes no Brasil. Seu segundo livro de poesias, Paulicéia Desvairada, publicado no mesmo ano, marca para muitos o início da poesia modernista brasileira. Durante a década de 1920 continuou sua carreira literária, ao mesmo tempo que exercia a função de crítico musical e de artes plásticas na imprensa escrita. Em 1928 publicou seu romance mais conhecido, Macunaíma, considerado por muitos como uma das obras capitais da narrativa brasileira no século XX. - Anos de formação: Andrade nasceu em São Paulo, cidade onde morou durante quase toda a vida, no número 320, Rua Aurora, onde seus pais, Carlos Augusto de Moraes Andrade e Maria Luísa Leite Moraes Andrade também viveram. Em sua infância foi considerado um prodígio pianista. Ao mesmo tempo, estudou história, arte, e especialmente poesia. Dominava a língua francesa: durante sua infância leu Rimbaud e os principais poetas simbolistas francês. Embora escrevesse poesia desde a mais tenra idade (seu primeiro poema é datado de 1904), sua primeira vocação foi musical, em 1911 foi matriculado no Conservatório de São Paulo. Em 1913, seu irmão Renato, então com catorze anos, morreu de um golpe recebido enquanto jogava futebol, o que causou um profundo choque em Mario. Abandonou o conservatório e se retirou com a família para uma fazenda em Araraquara. Este incidente marcou o fim de sua carreira como pianista, já que produziu um tremor em suas mãos que impediu-o de tocar. Por isso, decidiu tornar-se professor de música, ao mesmo tempo que começa a ter um interesse mais sério pela literatura. Em 1917, quando completou seus estudos de piano, publicou seu primeiro livro de poemas, Há uma Gota de Sangue em Cada Poema, com o pseudônimo Mario Sobral. O livro já contém inícios da crescente sensibilidade em direção ao autor às características distintivas da identidade brasileira, mas, como a maior parte da poesia brasileira produzida na época, não se destacava pela originalidade: é evidente a sua influência da escola européia, sobretudo francesa. Na sequência da publicação de seu primeiro livro de poemas, Andrade decidiu ampliar o âmbito de sua escrita. Deixou São Paulo e viajou para o campo. Iniciou uma atividade que continuaria a fazer durante o resto da vida: o meticuloso trabalho de documentação sobre a história e a cultura (especialmente música) no interior do Brasil, tanto em São Paulo quanto Minas Gerais, que deixou-se profundamente interessado pela arte barroca do período colonial, como nas áreas agrestes no nordeste do país. Publicou ensaios em jornais de São Paulo, algumas vezes ilustrados por suas próprias fotografias, e foi, acima de tudo, acumulando informações sobre a vida e folclore brasileiro. Apesar dessas viagens, Andrade ainda lecionava piano no Conservatório, e, em 1921, se tornou professor de História da Arte desta instituição.

A tarde se deitava nos meus olhos 
E a fuga da hora me entregava abril, 
Um sabor familiar de até-logo criava 
Um ar, e, não sei porque, te percebi. 

Voltei-me em flor. Mas era apenas tua lembrança. 
Estavas longe doce amiga e só vi no perfil da cidade 
O arcanjo forte do arranha-céu cor de rosa, 
Mexendo asas azuis dentro da tarde. 

Quando eu morrer quero ficar, 
Não contem aos meus amigos, 
Sepultado em minha cidade, 
Saudade. 

Meus pés enterrem na rua Aurora, 
No Paissandu deixem meu sexo, 
Na Lopes Chaves a cabeça 
Esqueçam. 

No Pátio do Colégio afundem 
O meu coração paulistano: 
Um coração vivo e um defunto 
Bem juntos. 

Escondam no Correio o ouvido 
Direito, o esquerdo nos Telégrafos, 
Quero saber da vida alheia 
Sereia. 

O nariz guardem nos rosais, 
A língua no alto do Ipiranga 
Para cantar a liberdade. 
Saudade… 

Os olhos lá no Jaraguá 
Assistirão ao que há de vir, 
O joelho na Universidade, 
Saudade… 

As mãos atirem por aí, 
Que desvivam como viveram, 
As tripas atirem pro Diabo, 
Que o espírito será de Deus. 
Adeus.

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Leia mais:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mário_de_Andrade

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