CECÍLIA MEIRELES

Os dias felizes

Cecília Meireles

“Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.(…) Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.

(…) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano.””

Cecilia Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964) foi uma poeta, professora e jornalista brasileira. Cecilia Meireles teve três filhas com o pintor Fernando Correia Dias, entre elas a atriz Maria Fernanda Meireles.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964) foi uma poeta, professora e jornalista brasileira. Cecília Meireles teve três filhas com o pintor Fernando Correia Dias, entre elas a atriz Maria Fernanda Meireles.

Os dias felizes estão entre as árvores como os pássaros:

viajam nas nuvens,

correm nas águas,

desmancham-se na areia.

 

Todas as palavras são inúteis,

desde que se olha para o céu.

 

A doçura maior da vida

flui na luz do sol,

quando se está em silêncio.

 

Até os urubus são belos,

no largo círculo dos dias sossegados.

 

Apenas entristece um pouco

este ovo azul que as crianças apedrejaram:

formigas ávidas devoram

a albumina do pássaro frustrado.

 

Caminhávamos devagar,

ao longo desses dias felizes,

pensando que a Inteligência

era uma sombra da Beleza.

————————————————————————————

 

Mais sobre Cecília Meireles em

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cec%C3%ADlia_Meireles

3 Comments

  1. Posted 14 fevereiro, 2009 at 11:27 pm | Permalink

    Desde cedo, aprendi a amar a poesia de Cecília Meireles.Quando morava em Juiz de Fora, trabalhava na gazeta Comercial, onde mantinha página literária aos domingos.
    A Record mandou-me a reedição de todos os seus livros, que iam chegando aos poucos.
    Depois, um de meus filhos, aqui em Minas, tinha de fazer um trabalho escolar sobre o Cancioneiro da Inconfidência, no qual mergulhei, para reler e mostrar a ele suas peculiaridades.
    Sempre que escrevia a alguém ,citava-a:”(que ) em sendo a terra redonda/um dia nos encontraremos”;
    Em meu consultório de psicóloga ou quando, normalista, lecionava, sempre ensinava seus versos às crianças (“Essa menina, tão pequenona, quer ser bailarina”)…
    Um de meus pacientes, no natal, presenteou-me com uma edição comemorativa, em dois volumes, de todos os seus livros-belas fotos e seus desenhos.
    E, para culminar, em novembro de 2008, fui eleita para a Cadeira Cecília Meirelles, na Academia feminina Mineira de Letras(AFEMIL).
    Preparo o discurso de posse (2009), e, curiosa, cheguei até aqui.
    Em março de 2007, chegeui ao Instituto Cultural brasil uruguai e a gentilíssima D.Deolinda Lahan, brasileira, colocou-nos em uma sala.levantei os olhos e dei com os meus, nos belos olhos de Cecíia.
    Muito bom para a rememória, reler:
    “Caminhávamos devagar,
    ao longo desses dias felizes,
    pensando que a Inteligência
    era uma sombra da Beleza.”
    Obrigada.
    Clevane Pessoa de Araújo Lopes
    Diretora regional dom InBrasci(Instituto Brasieliro de culturas Internacionais), em Belo Horioznte, MG

  2. Posted 13 abril, 2009 at 8:11 pm | Permalink

    Corrijo as “clevanices de digitação:

    -“Gazeta Comercial”,pequenina,

    E repito o comentário, devidadamente revisado.Desculpem-me:

    “Clevane pessoa
    Postado em 14 Fevereiro, 2009 às 11:27 pm | Permalink

    Desde cedo, aprendi a amar a poesia de Cecília Meireles.Quando morava em Juiz de Fora, trabalhava na Gazeta Comercial, onde mantinha página literária aos domingos.
    A Editora Record mandou-me a reedição de todos os seus livros, que iam chegando aos poucos.
    Depois, um de meus filhos, aqui em Minas, tinha de fazer um trabalho escolar sobre o Cancioneiro da Inconfidência, no qual mergulhei, para reler e mostrar a ele suas peculiaridades.
    Sempre que escrevia a alguém ,citava-a:”(que ) em sendo a terra redonda/um dia nos encontraremos”;
    Em meu consultório de psicóloga ou quando, normalista, lecionava, sempre ensinava seus versos às crianças -por exeomlo,(”Essa menina, tão pequenona, quer ser bailarina”…
    Um de meus pacientes, no natal, presenteou-me com uma edição comemorativa, em dois volumes, de todos os seus livros-belas fotos e seus desenhos.
    E, para culminar, em novembro de 2008, fui eleita para a Cadeira Cecília Meirelles, na Academia Feminina Mineira de Letras(AFEMIL), em belo Horizonte, Mg.
    Preparo o discurso de posse (2009), e, curiosa, cheguei até aqui.
    Em março de 2007, cheguei ao Instituto Cultural Brasil Uruguai (ICUBUY)e a gentilíssima D.Deolinda Lahan, brasileira, colocou-nos em uma sala.Levantei os olhos e dei com os meus, nos belos olhos de Cecíia cujo rosto ornava , em um quadro,as paredes.
    Muito bom para a rememória, reler:
    “Caminhávamos devagar,
    ao longo desses dias felizes,
    pensando que a Inteligência
    era uma sombra da Beleza.”
    Obrigada.
    Clevane Pessoa de Araújo Lopes
    Diretora Regional dom InBrasci(Instituto Brasieliro de culturas Internacionais), em Belo Horioznte, MG

  3. Raimundo Helio Batis
    Posted 2 junho, 2011 at 6:15 pm | Permalink

    Neste mundo louco em que vivemos o que nos salva e encoraja a a apressar a caminhada é o contato que temos com a beleza e o primor das poesias de Cecilia Meireles. Acode-me,no momento, “RETRATO”,que nos conduz a refletir sobre a crueldade estampada em nossas faces nos transcursos dos anos.


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