MANOEL DE BARROS

O urubuzeiro

Manoel de Barros

 

Manoel Wenceslau Leite de Barros (Cuiabá, 1916) é um poeta brasileiro. Nascido à beira do rio Cuiabá, mudou quando criança para Campo Grande e, mais tarde, para o Rio de Janeiro, a fim de completar os estudos. Formou-se bacharel em direito em 1941, tendo antes, em 1937, publicado seu primeiro livro, Poemas concebidos sem pecado. Na década de 1960 voltou para Campo Grande, onde passou a trabalhar como criador de gado. Desde a década de 1930 foram vários livros publicados. Sua poesia tem como temática o pantanal, representado através de sua natureza e do cotidiano. Recebeu vários prêmios, entre eles dois Prêmios Jabutis e um Prêmio APCA de melhor poesia.

Manoel Wenceslau Leite de Barros (Cuiabá, 1916) é um poeta brasileiro. Nascido à beira do rio Cuiabá, mudou quando criança para Campo Grande e, mais tarde, para o Rio de Janeiro, a fim de completar os estudos. Formou-se bacharel em direito em 1941, tendo antes, em 1937, publicado seu primeiro livro, Poemas concebidos sem pecado. Na década de 1960 voltou para Campo Grande, onde passou a trabalhar como criador de gado. Desde a década de 1930 foram vários livros publicados. Sua poesia tem como temática o pantanal, representado através de sua natureza e do cotidiano. Recebeu vários prêmios, entre eles dois Prêmios Jabutis e um Prêmio APCA de melhor poesia.

Meu amigo Sebastião estourou a infância dele e mais 
duas pernas 
No mergulho contra uma pedra na Cacimba da Saúde. 
Quarenta anos mais tarde Sebastião remava uma canoa 
no rio Paraguaio 
E deu o barranco de uma charqueada. 
Sebastião subiu o barranco se arrastando como um 
caranguejo trôpego 
Até a casa do patrão e pediu um trabalho. 
O patrão olhou para aquele pedaço de pessoa e disse: 
Você me serve para urubuzeiro. 
(Urubuzeiro era uma tarefa de espantar urubus que 
atentavam nos tendais de carne.) 
Trabalho de Sebastião era espantar os urubus. 
Sebastião espantava espantava espantava. 
Os urubus voltavam de bandos. 
Sebastião espantava espantava. 
Um dia pegaram Sebastião a prosear em estrangeiro 
com os urubus. 
Chegou que Sebastião permitiu que os urubus 
fizessem farra nas carnes. 
Os urubus faziam farra e conversavam em estrangeiro 
com Sebastião. 
Veio o patrão e mandou Sebastião para o manicômio. 
No manicômio ninguém compreendia a língua de 
Sebastião 
De forma que Sebastião despencou do seu normal 
E foi encontrado na rua falando sozinho em 
estrangeiro. 

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