CRÔNICAS – Nosso cotidiano urbano

Cabeçalho de uma coluna

por Tonicato Miranda

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“Cabeçalho de uma Coluna” poderia ser este o título da coluna para a qual fui convidado a escrever diariamente para este sensacional “blog” que vai ficando conhecido em todo o mundo como “BICHOS DO BRASIL”. Uma coluna de Crônicas, este gênero literário tão desvalorizado em nossa literatura, mas ao mesmo tempo tão brasileiro. Posso afirmar que ele é muito mais nosso do que dos portugueses. Ou já foi e agora nem tanto.

 

Foram muitos os brasileiros que se notabilizaram escrevendo crônicas em nossos jornais diários, a começar por Rubem Braga. Para mim Rubem foi o mais rico entre tantos, sendo os mais notáveis dos anos 60 do Século XX para cá Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos, Carlinhos de Oliveira, Calos Eduardo Novaes entre outros. Mais recentemente um nome desponta entre os sobreviventes – Luiz Fernando Veríssimo.

 

Tonicato Miranda

Tonicato Miranda

No Paraná, muitas foram as tentativas da colocação da crônica como coluna permanente nos jornais diários. No entanto, a gratuidade dos serviços prestados pelos colaboradores, a falta de sensibilidade dos donos dos jornais e a juventude do pensamento dos novos jornalistas, impediram que o gênero se fixasse em definitivo em nossa imprensa. Há, entretanto, uma diferenciação a fazer entre a Crônica Jornalística Factual e a Crônica Literária. Enquanto a primeira fixa-se em temas do momento, quase fazendo sombra aos assuntos editoriais dos jornais, em especial a política; a segunda vai mais longe ou fixa-se nas banalidades que somente cronistas vêem, ao retratar o cotidiano do cidadão mais oculto da vida em sociedade.

 

A Crônica Literária é urbana por excelência. Mesmo quando o cronista vai ao campo e relata o ritmo lento da vida do interior; os pipios e chilreios mais agudos dos pássaros mais canoros; os matizes dos verdes mais variegantes da paisagem, ele sempre nos revela ou traz do espaço rural a visão do homem urbano visitante. A Crônica Literária por sua leveza, texto geralmente curto, focado em um ou dois assuntos centrais, geralmente abordando questões tidas como banais, é uma peça jornalística descartável. Sempre segue o mesmo destino dos jornais depois de lidos, sendo comum, num segundo uso; outrora, como embrulho de carne de açougue; hoje, como fundo de gaiola de pássaro ou forro de cama de cachorro.

Pois mesmo que para isto seja – um texto descartável, inauguramos hoje, em BICHOS DO BRASIL, o espaço da Crônica. Nele, tentarei discorrer o cotidiano da vida diária no Brasil, com os temas mais variados possíveis. Uma vez que o compromisso para com a periodicidade da crônica seja, inicialmente, a publicação de uma a cada dois dias, por vezes, em função de outras atribulações da vida, serei obrigado a repetir algumas das crônicas que tanto eu como as principais expressões literárias brasileiras consagraram como geniais. No entanto, sempre que lançar mão das crônicas de outros autores, ela virá acompanhada de Breve Comentário, com minhas impressões muito pessoais, que acredito nem sempre serão da concordância dos leitores. Mas que assim seja, e desde já peço perdão. E como já cantaram em samba “Perdão foi feito pra gente pedir…”.

Este Cabeçalho de uma Coluna já é em si uma crônica, e como eu mesmo já disse certa feita, na crônica cabe tudo e, principalmente, homenagens – mesmo que póstumas. Por isto reverenciamos hoje a Valêncio Xavier, companheiro de escrita, que tanto nos enriqueceu com seus textos e a quem tive o prazer de lançar um dos seus livros na minha antiga livraria Ipê Amarelo, no início dos anos 90, ali no começo da Rua Comendador Araújo. Pois é companheiro, faça uma boa viagem. Nós ainda por aqui, saudosos da sua presença vívida, somente podemos dizer: Obrigado por sua vida cheia, ela que nos deixa agora vazia da sua presença física. A você jogamos nas ondas da Internet o nosso Até Breve!

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