MALLARMÉ – BRINDE

PRÓLOGO                                                                                                                                       por Tonicato Miranda

Trazemos hoje para o “blog” um poema de Mallarmé, em francês, com ensaios da tradução em inglês e português. A primeira tradução em inglês foi realizada por C. F. MacIntyre; Bekerley e Los Angeles – University of California Press, 1957. A segunda, ainda para o inglês, foi realizada por Keith Bosley, 1979. E a tradução para nossa língua foi realizada por Augusto de Campos. O poema e as três versões foram extraídos do livro de Ana Cristina Cesar – Escritos da Inglaterra, da Editora Brasiliense, 1983.



SALUT (Stéphane Mallarmé
Rien, cette écume, vierge vers
À ne désigner que la coupe;
Telle loin se noie une troupe
De sirènes mainte à l'envers.

Nous naviguons, ô mes divers
Amis, moi déjà sur la poupe
Vous l'avant fastueux qui coupe
Le flot de foudres et d'hivers;

Une ivresse belle m'engage
Sans craindre même son tangage
De porter debout ce salut

Solitude, récif, étoile
À n'importe ce qui valut
Le blanc souci de notre toile.

SALUT

Nothing, this foam, virgin verse
denoting only the cup;
thus far away drowns a troop
of sirens many reversed.

We sail, O my diverse
friends, I by now on the poop
you the dashing prow that sunders
the surge of winters and thunders;

a lovely glow prevails
in me without fear of the pitch
to offer upright this toast

Solitude, star, rock-coast
to that no matter which
worth the white concern of our sail.

(Selected Poems, translation C.F. MacIntyre)

SALUT

Nothing, this foam, virgin verse
Pointing out only the cup;
So far off a siren troop
Drowns, taking turns for the worse.

We sail, O my various
Friends, with me now on the poop
You the gorgeous bows that dip
Through the swell of storm and ice.

A fine frenzy in its clutch
Has me fearless of its pitch
Upright to bear this greeting

To solitude, reef or star
Whatever was meriting
Our canvas with its white care

(The Poems, translation Keith Bosley)


BRINDE

Nada, esta espuma, virgem verso
A não designar mais que a copa;
Ao longe se afoga uma tropa
De sereias vária ao inverso.

Navegamos, ó meus fraternos
Amigos, eu já sobre a popa
Vós a proa em pompa que topa
A onda de raios e de invernos;

Uma embriaguez me faz arauto.
Sem medo ao jogo do mar alto,
Para erguer, de pé, este brinde

Solitude, recife, estrela
A não importa o que há no fim de
Um branco afã de nossa vela.

(Tradução Augusto de Campos)

Comente

Required fields are marked *
*
*

%d blogueiros gostam disto: