APOCALIPSE – © DE João Batista do Lago

APOCALIPSE

 

© DE João Batista do Lago

 

João Batista do Lago

João Batista do Lago

 

I

Amanhece e o sol do Oriente sangra

Pássaros e borboletas – anjos de aço –

Dão “bom dia!” de estanhos em fogos!

A velha Palestina – enclausurada! –

Parece mesmo condenada ao pranto eterno,

À miragem apocalíptica de João.

 

II

Da miserável conduta de Israel, todo um povo arde:

Crianças morrem…

Jovens morrem…

Mulheres morrem…

Homens morrem…

Uma nação morre…

 

III

Na Meca ecumênica dos poderosos

Onde o deus-mercado se abriga

Parlamenta-se a sorte da guerra

Discute-se uma faixa de terra – Gaza –

Onde um povo esquecido, e de miserável sorte,

Vê sobre si caírem flores de fogo

 

IV

Abre-se a terra – antes prometida! –

E dela surgem cavalos de ferro

Cuspindo palavras que torram corpos;

Que pisoteiam com seus cascos de aço

Corações de anjos que retornarão do enterro,

Para vingar a maldade da prostituta Israel

 

V

Do mar surgem peixes-fogo voadores e

carnívoros. Multiplicam-se e devoram as liberdades!

E a prostituta sorrir ao ver os filhos da promessa

Serem massacrados… Humilhados… Dizimados…

Sob a benevolência dum varão que imola,

Que mata sem paixão, pensando lavar seus pecados.

 

VI

Palestina! A velha senhora implora de joelhos

Um naco de terra para seus filhos plantarem o milho

E colherem a uva que lhes saciarão a fome e a sede…

Mas a nova prostituta – eterna bêbeda –

Banqueteia-se no palácio da Grande Tenda

E faz corte aos bezerros de ouro

 

VII

Antes do juízo final surgirá um anjo que anunciará:

“A famosa prostituta, aquela grande cidade, cairá!

E os reis do mundo inteiro que com ela deitaram,

E que comeram do milho e beberam do vinho da sua

Imoralidade; perecerão. Só então haverá liberdade.”

E um outro anjo dirá:

 

– Saia dessa cidade, meu povo!

Saiam todos dela

para não tomarem parte nos seus pecados

e para não participarem dos seus castigos!

Pois os seus pecados estão amontoados até o céu,

e Deus lembra das suas maldades.

Deem a ela o mesmo que ela deu a vocês;

paguem em dobro o que ela fez.

Encham a taça dela com bebida duas vezes mais forte

do que a bebida que ela preparou para vocês.

Deem a ela tanto sofrimento e tristeza

quanto luxo e glória ela deu a si mesma.

Porque ela pensa assim:

“Estou sentada aqui como rainha!

Não sou viúva e nunca mais vou sofrer!”

Por isso num mesmo dia

cairão sobre ela estas pragas:

doenças, dor e fome,

e ela será queimada no fogo.

Pois o Senhor Deus, que a julga, é poderoso.

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