Poemas de Eugênia Vieira

55 anos, natural da Ilha do Sal, Cabo Verde aquando aqui em Portugal o falar em liberdade dava direito a esse exilio meu pai assim o poderia dizer talvez com as lágrimas no olhar,depois regressamos a Portugal mais concretamente para a ilha de Santa Maria nos Açores, onde estudei, trabalhei, vindo mais tarde a viver na ilha de S.Miguel onde ainda hoje permaneço.

55 anos, natural da Ilha do Sal, Cabo Verde aquando aqui em Portugal o falar em liberdade dava direito a esse exílio meu pai assim o poderia dizer talvez com as lágrimas no olhar,depois regressamos a Portugal mais concretamente para a ilha de Santa Maria nos Açores, onde estudei, trabalhei, vindo mais tarde a viver na ilha de S.Miguel onde ainda hoje permaneço.

Poema de Sal

Vem como brisa do sul

Bate no rosto

Salpica-o

Rasga-lhe todos os amanheceres

Deixando sulcos

Onde a pouco e pouco

Vai nascendo

Aquela tristeza sem rumo

E no olhar sobram gotas

De um lacrimejar sem fé

Ninguém implorou santos

Nem deuses

Nem homens de barba rija e mãos calejadas

Nem tão pouco caravelas

Sulcando um pedaço de mar

Para que a história

Se fizesse só de bravos

Ninguém vestiu o nevoeiro

Com a sombra de D.Sebastião

Num incomensorável sonho

Nem tão pouco abraçou África

Goa,Macau ou Timor

E já agora Guiné ou Cabo verde

Deixando nos braços

A terra de um outrora.

Ninguém pediu um pedaço de pólvora

Porque a carne tisna

E á alma chega apenas o odor

De quem tombou antes que a hora

Se saldasse entre o ser e o parecer

Ninguém pediu este pedaço estreito

Sarcásticamente lançado

Na avidez do tempo

Qual coroa de glória

Exibida no auge

E soa-nos um tempo emagrecido

Batendo-nos no peito mais uma tormenta!

Ó Deus da Hironia

Santos desta volúpia

Escutai!

Discursos breves,metódicamente pensados

Parragonas em jornais

E a palavra bate e rebate

Como o fogo

É a crise!

Diz este povo

Que se benze ao amanhecer

E vai orando á Senhora de Fátima

Um naco de pão!

E a fé cresce!

E o pão benze-se

Com as mãos presas

Na amentolia da esperança

E tudo é tão rápido

Que a memória esquece

O passado no presente

Mas!

Homens!Bem falantes

Politicos, estudiosos

Homens da ciência

Que fizestes a este povo

Que ao olhar ascende

O desespero!

E na boca nem surge esse silêncio

De pérolas negras

Nada!

Nem mar por navegar

Nem sonho por desvendar

Nem sorriso mesmo que desconfiado

Nem um punhado de trigo

Nem um horizonte

Vestido com o rigor de quem não desistiu

De viver

Mesmo em tempo magro

Que fizestes?

Nada!

Nem fado,chorando a alma

Nem prosa ao anoitecer

Nem o mel da palavra

Aquietando o espírito

Apenas este frio que tange

E refreia o olhar

Deixando para a memória do futuro
Este poema de sal

Escrito por um punho

Que VIVE

Mesmo que lhe imponham

A mentira que vos veste.

E

A jeito de ladainha

Neste orar compadecido

Recordai

A justiça da palavra

Porque a crise

Sois vós

Homens bem Falantes!

É…………

Tingiram os novelos de orvalho
Com a cinza queimada
O sol encolheu-se entre as estrelas
Chorando a sina sem destino

É a cegueira rasgando o olhar
Enquando o veludo das sombras
Vão trauteando sons
Que ao pensamento
Parecem esta névoa avermelhada
Que alimenta o dia

É assim,aqui e agora
Nesta sumida aldeia
Onde ninguém semeia
Mas colhem palmas desertas

É o estoiro do canhão
A bomba que estilhaça
O sangue que escorre sobre a vida

O discurso alvoraçado
Que mente a paz
É a euforia que corta
As veias do pensamento
É o descer de asas
A um inferno sem portas
É o grito que escorre
Sobre a bandeira rasgada
É este tomar nas mãos
Uma dúzia de palavras
E soltá-las
Ao quebrar de mais uma noite
Envolta em silêncios plasmados
Num céu grávido

É………..
Tudo isto
E tudo o resto
Que poisa dolorosamente
Nas asas do tempo.

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