O BOI NA PLATEIA [DE Tonicato Miranda]

O boi na platéia

para Vera Lúcia Gonçalves da Silva

você Sol, invencível astro

nosso amo e senhor

aquele que governa a luz

o que dita para todos o sono

somente a ti invejo neste mundo


vejo os rabos dos bois na campina verde

e para quem eles balançam senão para ti

ouço passarinhos de manhã a chilrear

e para quem fazem essa grande algaravia

se não para ti

os verdes dos relvados junto à rodovia

e os matos vista afora

até o rendilhado dos picos no horizonte

estão mais verdes

e me pergunto por que e para quem

vestem-se assim, se não é somente para ti

até as nuvens cinzas deram lugar

às brancas cumulus nimbus

todas em sinfonia em retumbante Sagração da Primavera

cuja anfitriã é a Terra, mas o provedor és tu, oh Sol


por isto mesmo te desafio para o duelo do milênio

venha tu das alturas com espadas de fogo

e bolas de pedra incandescentes

que te receberei com meus escudos

de palavras, versos de gelo e abrigos de argentum

venhas tu na velocidade incrível da luz

que aqui encontrarás um manto negro para apagá-la


vejo um boi sentado sobre sua cauda

na sombra de uma árvore

cabeça e chifres erguidos e imponentes

e me pergunto

quais pensamentos insólitos voejam em seu crânio

o que pensa desta minha digladiação com o Sol

certamente o boi é o mais sábio entre os três

pois que apascentado no frescor do flamboyant

pode escolher o que focar com seu grande olho de boi

a luta do Sol com o poeta ou a elegância das abelhas

transportando mel nos seus baldinhos

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Tonicato Miranda

BR-101, 27/10/2008

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