CRÔNICAS – Desafio ao leitor

Desafio ao leitor

Jamil Salloum Jr.

 

Jamil Salloum Jr é graduado em Jornalismo (UnicenP), Especialista em Comunicação e Cultura (UnicenP) e Mestre em Filosofia (PUC-PR). Professor, escritor e conferencista. Colunista dos Jornais Diário dos Campos e Jornal da Manhã, de Pontas Grossa-PR

Jamil Salloum Jr é graduado em Jornalismo (UnicenP), Especialista em Comunicação e Cultura (UnicenP) e Mestre em Filosofia (PUC-PR). Professor, escritor e conferencista. Colunista dos Jornais Diário dos Campos e Jornal da Manhã, de Pontas Grossa-PR

            Hoje proponho um desafio a você, amigo leitor. Terá coragem de aceitá-lo ou preferirá se acovardar? Como introdução ao desafio, cito um trecho da pena do notável fisiologista Charles Richet,  em:

            “Por que existes? Não és realmente curioso se nunca fizeste esta pergunta. Feliz negligência, não obstante bem singular! Pois jamais pediste para viver e a existência te foi imperiosamente imposta. Por quem? Para quê? Por quê? No entanto tens em parte o direito de o saber, ou pelo menos de interrogar o destino, interrompendo o curso do teu trabalho, dos teus prazeres, dos teus amores e de tuas inquietações. Mas não! Contenta-te com viver, antes vegetar, porque viver sem refletir sobre seu destino é lamentável. Andas, dormes, comes, bebes, amas, choras, ris, estás triste ou alegre e jamais te preocupas com a sorte que esperam teus bisnetos, nem com o universo misterioso que te cerca, universo esse estranhamente colossal, do qual não és mais que um átomo. Então nunca procuraste saber por que existes? Eis aí o que seria bom saber. Eis aí o que é justo aprofundar. Mas tu não és curioso.”

            Então, meu amigo, já o vejo sorrir zombeteiramente e dar de ombros, considerando as linhas acima mais uma pregação inútil de algum visionário. Realmente, é mais fácil parar a leitura aqui e voltar os olhos para outro assunto. De fato, é mais fácil voltar-se à rotina de todos os dias, feliz em supor que tudo vai bem assim. Mas se tem coragem, prossiga lendo.

            Se você acha que o homem deve ser mais do que alguns quilos de carne e jarros de água, destinados à podridão certa e inexorável algum dia; refeição para vermes, quando tudo o que você foi e fez será apagado para sempre, a não ser na memória dos poucos que o conheceram, os quais, também, terão o mesmo fim (você e os que amou se diluindo no nada), então considere por um momento a possibilidade de desviar o foco de sua atenção vacilante, das coisas do dia-a-dia (trabalho, comida, casa e diversão), para o propósito de você ser você, e nenhum outro, e do porquê de você estar aqui. Não se interessa? É melhor continuar dormindo, empurrando a vida com a barriga, ou melhor, sendo por ela empurrado?

            Há uma finalidade maior do que saturar algumas décadas com uma vida mecânica e inconsciente? De fato, se a existência aqui se limitasse a uma preparação para assar eternamente em um inferno de chamas, ou cantarolar eternamente com os anjos, em um paraíso localizado em algum lugar (mesmo diáfano), como pregam algumas religiões, seria melhor mesmo virar comida de vermes; seríamos mais úteis assim, à natureza. Adubo para a terra e para futuras formas de vida.   Mas será que toda a nossa engenhosidade, nossos feitos, nossas conquistas tecnológicas, científicas e culturais, se diluirão nesse propósito máximo de nossa existência, virar simples adubo para terra quando morrermos e apodrecemos?

            Incômoda questão, não? È mais fácil colocar a mente para dormir, fugir do questionamento, vendo novela, futebol, indo a festas, mergulhando no trabalho. ou fazendo qualquer outra coisa que não nos obrigue a enfrentar isso. “Mas quem sabe o fim de tudo, o porquê de tudo?”, você dirá. E complementará: “Se ninguém sabe, e os que dizem saber não passam de crédulos, não vale a pena se preocupar com isso e viver do melhor jeito que pudermos”.

            Pois aí está o meu desafio! E se houvesse algo sobre você que não lhe contaram? Não valeria a pena saber?  Hoje, agora, neste instante, decida de que lado você está: dos curiosos ou dos que não se importam. Se, por algum momento, uma ponta de curiosidade despertar em você, sobre você mesmo, e a respeito do universo, comparado ao qual você parece ser nada, então, por este mês apenas, tente pensar nisso, sem fugir das angústias que essa busca pessoal desencadeará.

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