MANUEL BANDEIRA

Origem: http://www.releituras.com/index.asp     O último poema Manuel Bandeira   Assim eu quereria meu último poema Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos […]

JOÃO BATISTA DO LAGO

Origem: http://www.cuadernodepoesia.org/J.B.do_Lago_poemas.html / http://www.cuadernodepoesia.org/Joao_Batista_do_Lago.html / http://www.cuadernodepoesia.org/excelsus.5.html   © De la traducción: Isabel Mercadé A CARNE   Há monstros!  Monstrengos há! Seus caninos afiados  feitos presas de javalis  vislumbram o ataque fatal. Mas, depois de devorada a tartaruga  percebem o grande mal que a si fizeram:  suas carnes estão sendo comidas  pouco-a-pouco são corroídas  nos palácios dos seus ancestrais. […]

UMA POÉTICA ONDE A INVENTIVIDADE ESTEJA SEMPRE PRESENTE

Origem: http://www.revistazunai.com/entrevistas/fernando_aguiar.htm ##########     Por Joaquim Palmeira   “O eixo da minha poética anda em torno do verbal e do visual, de preferência interligados, com todas as possibilidades que essa junção permite. O verbal potencializado pelo visual ou o visual valorizado pela verbalidade constituem um interminável campo em exploração. E se acrescentarmos todas as técnicas […]

MICHELINY VERUNSCHK

  HISTÓRIA     Desenterrar os mortos  e chupar seus ossos,  sugar seu mosto  de terra e sangue seco,  seu gosto secreto  de anos infindáveis,  seus arcos,  costelas,  arquitetura.     (…)   Se infeccionar com os mortos.  Triturar seus artelhos  De esponja ressequida,  Pintar de negro e noite  Os dentes e a saliva  E […]

RODRIGO GARCIA LOPES

  RIZOMA     Você deixou os instrumentos sob o sol rachando o som que penetrava rochas de cores escritas com o tato, você delirava considerando asteriscos num céu de areia hostil.   Os halos seguiram com os corpos, quebras de esquinas com o vazio do tempo nas narinas mornas do nômade, rimas taliban se […]

CLAUDIA ROQUETTE-PINTO

    Colina acima   os pinheiros puseram em sentinela seu exército de boddhisattvas. A neblina caindo, primeiro apaga a floresta, depois a imagem no lago. Um pássaro persistente fez seu ninho no meio da urze, e canta. – nada vai tirar você de dentro de mim.     * * *   Um par […]

JAIRO PEREIRA

Jairo Pereira nasceu em Passo Fundo (RS) em 1956, mas reside hoje em Quedas do Iguaçu. Publicou vários livros de prosa e poesia, entre eles O Artista de Quatro Mãos (1992), O Antilugar da Poesia (1995), O Abduzido (1999) e Capimiã (2002).   POEMA ABSTRATO  Fiz um poema abstrato  de não se ver não pegar […]

LAU SIQUEIRA

  circunstância     o poema  é sempre um espetáculo  um pouco mais denso   vem de um tempo  longino  onde a memória perdia  o nome das coisas   e as pessoas eram  montarias do futuro     poeta interino     todo dia substituo um  cidadão de jeans san  dálias e cabelos gris  por […]

GRANDES CENTROS URBANOS: Espaço De Choque Entre Exílio E Diáspora [de Maria Angélica Amâncio]

Grandes centros urbanos: espaço de choque entre exílio e diáspora Maria Angélica Amâncio   .   1. Walter Benjamin e a capital do século XIX Metal e vidro. Esses são os materiais que revestiram, construíram e enfeitaram Paris, a capital do século XIX, durante o Segundo Império. Com eles, renovam-se a arquitetura e a arte […]

LIVROS ELETRÔNICOS [de Marilda Confortin]

    Nos últimos dias, andei assistindo palestras e debates sobre “Literatura e as novas mídias”. Os escritores que ouvi, Miguel Sanches Neto, Ricardo Corona, Luci Colin, José Castelo, Daniel Pelizari e João Paulo Cuenca, se dividem entre resistentes, desconfiados e entusiastas das novas mídias. Eu que tenho um pé na tecnologia e outro na literatura, […]

CANÇÃO VII [de Hilda Hilst]

Canção VII   É lícito me dizeres que Manã tua mulher  virá à minha casa para aprender comigo  minha extensa e difícil dialética lírica  canção e liberdade não se aprendem

SECRETÁRIO DOS AMANTES [de Oswald de Andrade]

  Secretário dos Amantes   I    Acabei de jantar um excelente jantar  116 francos  Quarto 120 francos com água encanada  Chauffage central  Vês que estou bem de finanças  Beijos e coisas de amor

A IMPOSSÍVEL PARTIDA [de Vinicius de Moraes]

    A impossível partida   Como poder-te penetrar, ó noite erma, se os meus olhos cegaram nas luzes da cidade  E se o sangue que corre no meu corpo ficou branco ao contato da carne indesejada?…  Como poder viver misteriosamente os teus recônditos sentidos  Se os meus sentidos foram murchando como vão murchando as […]

“POR QUE CANTAMOS” [de Manoel de Andrade]

      “POR QUE  CANTAMOS”                                      De Manoel de Andrade  para Mario Benedetti(*)   Se tantas balas perdidas cruzam nosso espaço e já são tantos os  caídos nesta guerra… Se há uma possível emboscada em cada esquina e  […]

DOIS BOTÕES DE CAMISA E UM PATUÁ [de Tonicato Miranda]

  DOIS BOTÕES DE CAMISA E UM PATUÁ   preciso de você para coisas simples tomar café às 6 da tarde com pão fatiado contar como fui idiota de manhã e como posso ser um adorável tolo ao seu lado