Teatrologia

Amir Haddad

 

Amir Haddad (Guaxupé, 1937) é um ator, diretor de teatro e teatrólogo brasileiro.

Amir Haddad (Guaxupé, 1937) é um ator, diretor de teatro e teatrólogo brasileiro.

Com José Celso Martinez Corrêa, Renato Borghi e outros criou em 1958 o Teatro Oficina — ainda em atividade com o nome de Uzyna Uzona. Nesse grupo, Amir dirigiu Candida, de George Bernard Shaw; atuou em A Ponte, de Carlos Queiróz Telles, e em Vento Forte para Papagaio Subir, de José Celso Martinez Corrêa (1958). Em 1959, dirigiu A Incubadeira e ganhou prêmio de melhor direção. Deixou o Oficina em 1960.

Em 1965, mudou-se para o Rio de Janeiro (RJ) para assumir a direção do Teatro da Universidade Católica do Rio.

Fundou, em 1980, os grupos “A Comunidade” (vencedor do Prêmio Molière[1] pelo espetáculo A Construção) e o “Tá na Rua“.

Amir não deixou de realizar projetos mais convencionais como O Mercador de Veneza, de Shakespeare (com Maria Padilha e Pedro Paulo Rangel) e os shows de Ney Matogrosso e Beto Guedes.

Com microfone na mão, Amir coordena uma trupe de atores pelas ruas e praças.

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Aníbal Machado

 

 

Anibal Monteiro Machado (Sabará, 9 de dezembro de 1884 — Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 1964) foi um escritor, futebolista, professor e homem de teatro brasileiro.

Aníbal Monteiro Machado (Sabará, 9 de dezembro de 1884 — Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 1964) foi um escritor, futebolista, professor e homem de teatro brasileiro.

Biografia

Aníbal Monteiro machado fez os estudos secundários em Belo Horizonte, no Colégio D. Viçoso, e no Externato do Ginásio Mineiro, hoje Colégio Estadual. Iniciou o curso superior na Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, transferindo-se depois para a de Belo Horizonte, onde se formou em dezembro de 1917. Tronou-se então professor de História Universal num colégio estadual de Minas Gerais e crítico de artes plásticas no Diário de Minas, onde trabalhou com os poetas Carlos Drummond de Andrade e João Alphonsus de Guimaraens. Depois foipromotor público, primeiro em Minas Gerais, e em seguida no Rio de Janeiro, na época capital do país (1924).

Por não se sentir com vocação para a carreira jurídica, deixou a promotoria para ser professor de literatura do Colégio Pedro II. Exercia o magistério paralelamente a um cargo burocrática no Ministério da Justiça, do qual se demitiu diante da movimentação política que resultou naRevolução de 1930.

Começou na literatura quando estudante e, no Rio, ligou-se aos modernistas, com assídua colaboração nos periódicos Revista de Antropofagia, Estética, Revista Acadêmica e Boletim de Ariel.

Eleito presidente da Associação Brasileira de Escritores organizou, com Sérgio Milliet, o 1º Congresso Brasileiro de Escritores, em 1945. Este congresso, ao defender a liberdade democrática, precipitou o fim da ditadura de Getúlio Vargas.

Apesar de sua atuação no meio literário, o primeiro livro, um ensaio sobre cinema, surgiu apenas em 1941, quando já tinha 46 anos. Na ficção, sua estréia em livro foi Vida Feliz, em 1944, seguindo-se Histórias reunidas, em 1955, Cadernos de João, em 1957 e, postumamente, João Ternura, em 1965. Marcou sua presença de destaque no panorama do conto brasileiro com textos antológicos, como Viagem aos Seios de Duília, Tati, a Garota e A Morte da Porta-Estandarte.

Ligado ao teatro, ajudou a fundar vários grupos teatrais, tais como Os Comediantes, o Teatro Experimental do Negro, o Tablado e o Teatro Popular Brasileiro.

Traduziu peças de Anton Checov e Franz Kafka e escreveu a peça O Piano, adaptada da novela de mesmo nome. Por esta peça, recebeu o Prêmio Cláudio de Sousa, da Academia Brasileira de Letras. Também foi condecorado com a Legião de Honra.

Na década de 1960, seus contos A morte da porta estandarte, Tati, a garota e Viagem aos seis de Duília ganharam versões para o cinema, com colaboração do próprio Aníbal nos roteiros. Manoel Carlos adaptou vários contos de sua obra na telenovela Felicidade, exibida pela Rede Globo em 1991.

Teve seis filhas, entre elas a famosa escritora e teatróloga Maria Clara Machado, uma grande cultuadora e guardiã de sua obra.

Aníbal Machado foi também jogador de futebol, e participou do primeiro time titular do Clube Atlético Mineiro, em 1909, entrando para a história do clube por ter marcado o primeiro gol da história do Atlético Mineiro. Jogou por três anos, até se formar em Direito, participando também da diretoria do clube.

 

Importância de sua obra

Tendo publicado apenas 13 contos, Aníbal produziu, pelo menos, uma obra-prima, Viagem aos seios de Duília, além de uns cinco ou seis contos notáveis, como O iniciado do vento , O Piano, Tati, a garota e O telegrama de Ataxerxes (este com um forte acento kafkiano, embora revestido de um certo humor).

Viagem aos seios de Duília, na opinião dos críticos, não é apenas um dos maiores contos brasileiros, mas merece figurar entre os maiores do conto universal.

Este conto narra as desventuras de José Maria, um funcionário público, que sublimou na dedicação ao trabalho a sua solidão, a falta de convívio com as mulheres, a incomunicabilidade. José Maria jamais se libertou da visão de um seio de Duília, quando ambos eram adolescentes. Ao se ver aposentado, depois de estéreis tentativas de, enfim, “viver a vida”, o velho funcionário, mais do que nunca, se volta para aquela visão do passado e decide ir à procura da mocinha que lhe proporcionou, talvez, a única coisa boa da sua vida

É um texto magistral sobre a coragem do ser e do vir a ser, sobre a busca de novos desafios e a recusa a considerar aposentadoria como sinônimo de morte, embora esta busca e esta recusa possam ser inúteis.

 

Coletânea de 2005

Por não ser muito extensa, a obra de Aníbal Machado costuma aparecer reunida em coletâneas. A mais recente, de 2005, é a A arte de viver e outras artes.

Cinco dos oito títulos que compõem a bibliografia de Aníbal Machado, da forma que ele a reconheceu em vida, aparecem reunidos neste livro –O Cinema e sua Influência na Vida Moderna, ensaio que marca, em 1941, a sua estréia em livro, aos 46 anos de idade; Goeldi, outro ensaio, de 1955, sobre a obra do gravador; e Cadernos de João, que acrescenta novos textos aos contidos em ABC das Catástrofes – Topografia da Insônia, de 1951, e em Poemas em Prosa, de 1955. O livro traz uma compilação de sua obra crítica dispersa em periódicos, entre as décadas de 30 e 60, abrangendo estudos sobre literatura, artes plásticas, cinema e teatro, em que se incluem análises sobre Machado de Assis, Walt Whitman, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Oswald de Andrade, Lasar Segall, Candido Portinari, Di Cavalcanti, Charles Chaplin e Bertolt Brecht.

 

Fonte

M.Cavalcanti Proença – Introdução em A Morte da Porta Estandarte e outras histórias, ed.José Olympio, 1972

Enciclopédia do Atlético de todos os tempos – Adelchi Ziller, 1997

Teses e dissertações

FONSECA, Maria Augusta Bernardes. Vento, gesto e movimento – a poética de Aníbal Machado. 1984. 189 f. Tese (Doutorado) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, São Paulo.

TEIXEIRA, Marcos Vinícius. João Ternura: romance de uma vida. 2005. 107 f. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.

WEG, Rosana Morais. Aníbal Machado em seu tempo. 2002. 202 f. Tese (Doutorado em Literatura Brasileira) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, São Paulo.

WEG, Rosana Morais. Caos e catástrofe na obra de Aníbal Machado. 1997. 164 f. Dissertação (Mestrado em Literatura Brasileira) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, São Paulo.

 

Ligações externas

O defunto inaugural, texto de Aníbal Machado

Viagem aos Seios de Duília, crítica de Helena Sut

 

Leia mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Aníbal_Machado

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Antônio Manuel de Souza Guerra

 

Antônio Manuel de Souza Guerra , conhecido por “Antônio Guerra”, foi estudioso e incentivador das artes cênicas em São João del-Rei/MG. Autor do livro: “Pequena História de Teatro, Circo, Música e Variedades em São João del-Rei – 1917 a 1967”[1], importante compilação de dados sobre a História do teatro.

Durante sua vida, Antônio Guerra montou um grande acervo particular que contêm aproximadamente 300 livros, mais de 370 peças teatrais manuscritas ou datilografadas, aproximadamente 1.800 peças teatrais impressas em português, espanhol, inglês e francês, além de partituras musicais impressas e manuscritas, fotos, jornais e uma coleção de 13 álbuns confeccionados pelo próprio Antônio Guerra, entre os quais se encontra um relato da História do Teatro no Interior de Minas Gerais com enorme variedade de documentação. Este acervo foi doado àUniversidade Federal de São João del-Rei e está disponível para consulta pública na biblioteca da mesma.[2]

Leia mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Antônio_Manuel_de_Souza_Guerra

 

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Augusto Boal

 

Augusto Pinto Boal (Rio de Janeiro, 16 de março de 1931) é diretor de teatro, dramaturgo e ensaista brasileiro, uma das grandes figuras do teatro contemporâneo internacional. Fundador do Teatro do Oprimido, suas técnicas e práticas difundiram-se pelo mundo, notadamente nas três últimas décadas do século XX, sendo largamente empregadas não só por aqueles que entendem o teatro como instrumento de emancipação politica mas também nas áreas de educação, saúde mental e no sistema prisional. Nas palavras de Boal, o Teatro do Oprimido é o teatro no sentido mais arcaico do termo. Todos os seres humanos são atores - porque atuam - e espectadores - porque observam. Somos todos espect-atores . O dramaturgo é conhecido não só por sua participação no Teatro de Arena da cidade de São Paulo (1956 a 1970), mas sobretudo por suas teses do Teatro do oprimido, inspiradas nas propostas do educador Paulo Freire. Tem uma obra escrita expressiva, traduzida em mais de vinte linguas, e suas concepções são estudados nas principais escolas de teatro do mundo. O livro Teatro do oprimido e outras poéticas politicas trata de um sistema de exercicios (monólogos corporais), jogos (diálogos corporais) e técnicas de teatro-imagem, que, segundo o autor, podem ser utilizadas não só por atores mas por todas as pessoas. O Teatro do oprimido tem centros de difusão nos Estados Unidos, na França e no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro.

Augusto Pinto Boal (Rio de Janeiro, 16 de março de 1931) é diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta brasileiro, uma das grandes figuras do teatro contemporâneo internacional. Fundador do Teatro do Oprimido, suas técnicas e práticas difundiram-se pelo mundo, notadamente nas três últimas décadas do século XX, sendo largamente empregadas não só por aqueles que entendem o teatro como instrumento de emancipação política mas também nas áreas de educação, saúde mental e no sistema prisional. Nas palavras de Boal, "o Teatro do Oprimido é o teatro no sentido mais arcaico do termo. Todos os seres humanos são atores - porque atuam - e espectadores - porque observam. Somos todos "espect-atores" . O dramaturgo é conhecido não só por sua participação no Teatro de Arena da cidade de São Paulo (1956 a 1970), mas sobretudo por suas teses do Teatro do oprimido, inspiradas nas propostas do educador Paulo Freire. Tem uma obra escrita expressiva, traduzida em mais de vinte línguas, e suas concepções são estudados nas principais escolas de teatro do mundo. O livro Teatro do oprimido e outras poéticas políticas trata de um sistema de exercícios ("monólogos corporais"), jogos (diálogos corporais) e técnicas de teatro-imagem, que, segundo o autor, podem ser utilizadas não só por atores mas por todas as pessoas. O Teatro do oprimido tem centros de difusão nos Estados Unidos, na França e no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro.

Família e estudos

Augusto Boal nasceu no subúrbio da Penha, Rio de Janeiro.[2] Filho do padeiro português José Augusto Boal e da dona de casa Albertina Pinto, desde os nove anos dirigia peças familiares, com seus três irmãos. Aos 18 anos vai estudar Engenharia Química na antiga Universidade do Brasil, atual UFRJ, e paralelamente escrevia textos teatrais.

Na década de 1950 enquanto realizava estudos em nível de Ph.D em Engenharia Química, na Columbia University, em Nova York,[3], estuda dramaturgia na School of Dramatics Arts, também na Columbia, com John Gassner, professor de Tennessee Williams e Arthur Miller. Na mesma época, assistia às montagens do Actor’s Studio.

 

Teatro de Arena

De volta ao Brasil, em 1956, passa a integrar o Teatro de Arena de São Paulo, a convite de Sábato Magaldi e José Renato. O Arena tornou-se uma das mais importantes companhias de teatro brasileiras, até o seu fechamento, no fim da década de 1960.

Sua primeira direção é Ratos e Homens, de John Steinbeck, que lhe valeu o prêmio de revelação de direção da Associação Paulista de Críticos de Artes, em 1956. Seu primeiro texto encenado foi Marido Magro, Mulher Chata, uma comédia de costumes. Depois de uma série de insucessos comerciais e diante da perspectiva de fechamento do Arena, a companhia decide investir em textos de autores brasileiros. Superando as expectativas Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, dirigido por José Renato, torna-se um grande sucesso, salvando o Arena da bancarrota. O grupo ressurge, provocando uma verdadeira revolução na cena brasileira, abrindo caminho para uma dramaturgia nacional.

Para prosseguir na investigação de um teatro voltado para a realidade do Brasil, Boal sugere a criação de um Seminário de Dramaturgia que se tornará o celeiro de vários novos dramaturgos. As produções, fruto desses encontros, vão compor o repertório da fase nacionalista do conjunto nos anos seguintes. Sob direção de Boal o Arena apresenta Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Vianna Filho, 1959, segundo êxito nessa vertente.

 

Arena e Oficina

Depois de dirigir, em 1959 A Farsa da Esposa Perfeita, de Edy Lima, Boal apresenta Fogo Frio, de Benedito Ruy Barbosa, em 1960, uma produção conjunta entre o Arena e o Teatro Oficina, através da qual orienta um curso de interpretação. Dirige também, para o Oficina A Engrenagem, adaptação dele e de José Celso Martinez Corrêa do texto de Jean-Paul Sartre.

Em 1961, Antônio Abujamra dirige um outro texto de Boal, José, do Parto à Sepultura, com os atores do Oficina, que estréia no Teatro de Arena. No mesmo ano, o espetáculo Revolução na América do Sul estréia, com direção de José Renato. Augusto Boal se torna um dos mais importantes dramaturgos do período.

Em 1962, o Arena inicia nova fase: a nacionalização dos clássicos. José Renato deixa a companhia e Boal torna-se líder absoluto e sócio do empreendimento. Encerra-se a leva de encenações dos textos produzidos no Seminário de Dramaturgia.

Em 1963 encena O Noviço, de Martins Pena e Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams, no teatro Oficina, em colaboração com grandes artistas do teatro brasileiro, tais como o cenógrafo Flávio Império e Eugênio Kusnet, responsável pela preparação dos atores. Ainda desta fase são O Melhor Juiz, o Rei, de Lope de Vega e Tartufo, de Molière, produções de 1964.

Depois do golpe militar, Boal dirige no Rio de Janeiro o show Opinião, com Zé Kéti, João do Vale e Nara Leão – depois substituída por Maria Bethânia). A iniciativa surge de um grupo de autores (Oduvaldo Vianna Filho, Paulo Pontes e Armando Costa) ligados ao Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE, posto na ilegalidade. O grupo pretendia criar um foco de resistência política através da arte. De fato evento é um sucesso e contagia diversos outros setores artísticos. O Opinião 65, exposição de artes plásticas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), surge na seqüência, aglutinando os artistas ligados aos movimentos de arte popular. Esse é o nascedouro do Grupo Opinião.

 

Musicais

A partir de Opinião, Boal inicia o ciclo de musicais no Arena, com Gianfrancesco Guarnieri e Edu Lobo, apresentando Arena Conta Zumbi(1965), primeiro experimento com o “sistema curinga” onde oito atores se revezam, fazendo todas as personagens. O sucesso de público abre caminho para Arena Conta Bahia, com direção musical de Gilberto Gil e Caetano Veloso, e Maria Bethânia e Tom Zé no elenco.

Em seguida, é encenado Tempo de Guerra, no Oficina, com texto de Boal e Guarnieri, poemas de Brecht e vozes de Gil, Maria da Graça (Gal Costa), Tom Zé e Maria Bethânia, sob a direção de Boal.

No ano seguinte, é a vez do espetáculo Arena Conta Tiradentes, centrado em outro movimento histórico de luta nacional – a Inconfidência Mineira. Também uma aplicação do sistema curinga, a peça não propõe retratar os fatos de forma ortodoxa e cronológica, mas criar conexões com fatos, tipos e personagens que se referem constantemente ao período pré e pós-1964.

A Primeira Feira Paulista de Opinião, concebida e encenada por Boal no Teatro Ruth Escobar, é uma reunião de textos curtos de vários autores – um depoimento teatral sobre o Brasil de 1968. Estão presentes textos de Lauro César Muniz, Bráulio Pedroso, Gianfrancesco Guarnieri, Jorge Andrade, Plínio Marcos e do próprio Boal. O diretor apresenta o espetáculo na íntegra, ignorando os mais de 70 cortes estabelecidos pela censura, incitando a desobediência civil e lutando arduamente pela permanência da peça em cartaz, depois de sua proibição.

 

Exílio

Com a decretação do Ato Institucional nº 5, em fins de 1968, o Arena viaja para fora do país, excursionando, entre 1969 e 1970 pelos Estados Unidos, México, Peru e Argentina. Boal escreve e dirige Arena Conta Bolivar. Em seu retorno, com uma equipe de jovens recém-saídos de um curso no Arena, cria o Teatro Jornal – 1ª Edição, experiência que aproveita técnicas do agitprop e do Living Newspaper, grupo norte-americano dos anos 1930 que trabalhava com dramatizações a partir de notícias de jornal.

A Resistível Ascensão de Arturo Ui, de Brecht, é a última incursão de Boal no sistema curinga, que entretanto não acrescenta grandes novidades na linguagem do grupo.

Em 1971, Boal é preso e torturado. Na seqüência, decide deixar o país, com destino à Argentina, terra de sua esposa, a psicanalista Cecília Boal. Lá permanece por cinco anos e desenvolve o Teatro Invisível. Naquele mesmo ano, Torquemada, um texto seu sobre a Inquisição, é encenado em Buenos Aires.

Em 1973, vai para o Peru, onde aplica suas técnicas num programa de alfabetização integral e começa a fazer o Teatro Fórum. Em 1974, seu texto Tio Patinhas e a Pílula é encenado em Nova York.

No Equador, desenvolve, com populações indígenas, o Teatro Imagem. Esse período é representado por Boal em seu texto Murro em Ponta de Faca.

Muda-se para Portugal, onde permanecerá por dois anos. Ali, com o grupo A Barraca, realiza a montagem A Barraca Conta Tiradentes, 1977. Lá também escreve Mulheres de Atenas, uma adaptação de Lisístrata, de Aristófanes, com músicas de Chico Buarque.

Finalmente, a partir de 1978 estabelece-se em Paris, onde cria um centro para pesquisa e difusão do teatro do oprimido, o Ceditade (Centre d’étude et de diffusion des techniques actives d’expression). Lá, com ajuda de sua esposa desenvolve um teatro mais interiorizado e subjetivo, o Arco-íris do desejo (Método Boal de Teatro e Terapia).

Enquanto isso, em São Paulo (1978) Paulo José dirige, para a companhia de Othon Bastos, Murro em Ponta de Faca, texto em que Boal enfoca a vida dos exilados políticos.

Boal visita o Brasil em 1979, para ministrar um curso no Rio de Janeiro, retornando, no ano seguinte, juntamente com seu grupo francês, para apresentar o Teatro do Oprimido, já consagrado em muitos países.

Em 1981, promove o I Festival Internacional de Teatro do Oprimido. Volta ao Brasil definitivamente em 1986, instalando-se no Rio, onde inicia o plano piloto da Fábrica de Teatro Popular, que tinha como principal objetivo tornar acessível a qualquer cidadão a linguagem teatral e cria o Centro do Teatro do Oprimido.

 

Homenagem

Uma das canções de Chico Buarque é uma carta em forma de música – uma carta musicada que ele fez em homenagem a Boal, que vivia no exílio, quando o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar. A canção Meu Caro Amigo, dirigida a ele, na época exilado em Lisboa, foi lançada originalmente no disco Meus Caros Amigos 1976.

Augusto Boal está indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 2008, em virtude de seu trabalho com o Teatro do Oprimido.

 

Teatro popular

Boal preconiza que o teatro deve ser um auxiliar das transformações sociais e formar lideranças nas comunidades rurais e nos subúrbios. Para isto organizou uma sucessão de exercícios simples, porém capazes de oferecer o desenvolvimento de uma boa técnica teatral amadora, auxiliando a formação do ator de teatro.

 

Livros publicados

Em português

Arena conta Tiradentes. São Paulo: Sagarana,1967.

Crônicas de Nuestra América. São Paulo: Codecri, 1973.

Técnicas Latino-Americanas de teatro popular: uma revolução copernicana ao contrário. São Paulo: Hucitec, 1975.

Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira. 1975.

Jane Spitfire. Rio de Janeiro: Codecri,1977.

Murro em Ponta de Faca. São Paulo: Hucitec, 1978.

Milagre no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.

Stop: ces’t magique. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.

Teatro de Augusto Boal. vol.1. São Paulo: Hucitec,1986.

Teatro de Augusto Boal. vol.2. São Paulo: Hucitec,1986.

O Corsário do Rei. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1986.

O arco-íris do desejo: método Boal de teatro e terapia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1990.

O Suicida com Medo da Morte. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1992

Teatro legislativo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996.

Aqui Ninguém é Burro! Rio de Janeiro: Revan, 1996

Jogos para atores e não-atores. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.

Hamlet e o filho do padeiro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira – 2000

O teatro como arte marcial. Rio de Janeiro: Garamond, 2003.

Em espanhol

Categorias de Teatro Popular. Buenos Aires: Ediciones Cepe,1972.

Em francês

Théâtre de l’opprimé. Éditions La Découverte, 1996.

Jeux pour acteurs et non-acteurs. Éditions François Maspero, 1978.

Pratique du théâtre de l’opprimé. Centre d’étude et de diffusion des techniques actives d’expression, 1983.

Stop ! c’est magique. Éditions Hachette, 1980.

Méthode Boal de théâtre et de thérapie. Éditions Ramsay, 1990.

L’Arc-en-ciel du désir. Éditions La Découverte, 2002.

Em inglês

Theatre of the Oppressed. Londres: Pluto Press,1979.

Games for Actors and Non-Actors. London: Routledge, 1992.

The Rainbow of Desire. London: Routledge, 1995.

 

Sobre a importância de Boal para o Teatro

Suas idéias, adotadas em diversas iniciativas em todo o mundo, renderam-lhe um reconhecimento que pode ser expresso nos seguintes comentários, que figuram no seu livro Teatro do oprimido e outras poéticas políticas (ISBN 85-2000-0265-X):

Boal conseguiu fazer aquilo com que Brecht apenas sonhou e escreveu: um teatro alegre e instrutivo. Uma forma de terapia social. Mais do que qualquer outro homem de teatro vivo, Boal está tendo um enorme impacto mundial” – Richard Schechner, diretor de The Drama Review.

Augusto Boal reinventou o teatro político e é uma figura internacional tão importante quanto Brecht ou Stanislawski.” – The Guardian.

 

Prêmios

1962 : Prêmio PADRE VENTURA, melhor diretor – São Paulo

1963 – Premio SACY, melhor diretor, São Paulo

1965 – Premio SACY, São Paulo, Brésil

1959-1965 – Vários prêmios de Associações de Críticos de Teatro do Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre e São Paulo

1965 – Prêmio MOLIÈRE pelo espetáculo A Mandrágora de Machiavel – Brasil

1967 – Prêmio MOLIÈRE pela criação do “Sistema Curinga” – Brasil

1971 -OBIE AWARD para o melhor espetáculo off – Broadway. LATIN AMERICAN FAIR OF OPINION, EUA

1981 – OFFICIER DES ARTS ET DES LETTRES – Ministère de la Culture, França

1981 – Prémio OLLANTAY, de Creación y Investigación Teatral, CELCIT, Venezuela

1994 – Prêmio CULTURAL AWARD da cidade de Gävle, Suécia

1994 – Medalha PABLO PICASSO da UNESCO

1995 – OUTSTANDING CULTURAL CONTRIBUTION – Academy of the Arts – Queensland University of Technology, Austrália

1995 – PRIX CULTURAL – Institut Für Jugendarbeit – Gauting, Baviera

1995 – THE BEST SPECIAL PRESENTATION – Manchester News – UK

1996 – Doctor Honoris Causa in Humane Letters, University of Nebraska, EUA

TRADITA INNOVARE, INNOVATA TRADERE, University of Göteborg, Suécia

1997 – LIFETIME ACHIEVEMENT AWARD, American Theatre Association in Higher Education, ATHE, EUA

– PRIX DU MÉRITE, Ministère de la Culture do Egito

1998 – PREMI D´HONOR, Institutet de Teatre, Barcelona, Espanha

– PREMIO DE HONOR, Instituto de Teatro, Ciudad de Puebla, México

1999 – Honra ao mérito. União e Olho Vivo. Brasil.

2000 – Proclamation of the City of Bowling Green, Ohio. EUA

 Doctor Honoris Causa in Fine Arts, Worcester State College, EUA

– Montgomery Fellow, Dartmouth College, Hanover, EUA

2001 – Nominated (for July, 2001) DOCTOR HONORIS CAUSA in Literature, University of London, Queen Mary, UK

International Award for Contribution of Development of Drama Education „Grozdanin kikot“.

2002 – Baluarte do Samba, homenagem da Escola de Samba Acadêmicos da Barra da Tijuca

2005 – Comendador Governo Federal. Brasil.[4]

 

Referências

 LES ÉCRIVAINS D’EXPRESSION PORTUGAISE. BOAL, Augusto

 http://www.opalco.com.br/foco.cfm?persona=autores&controle=131 O palco. Augusto Boal

 Pedagogy and Theatre of the Oppressed Conference 2007

 Alguns prêmios recebidos por Boal (em francês)

 

Ligações externas

Enciclopédia Itaú Cultural

Currículum Boal

Sobre o Teatro do Oprimido

Site internacional do Teatro do oprimido – USA

Site international do Teatro do Oprimido – francês, italiano e inglês

Apresentação feita por Augusto Boal, sobre o teatro do oprimido em St Étienne-les-Orgues 2005, em mp3

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